A semana passada inteira me fez companhia uma "aleluia", daquelas verdinhas, bonitinhas, nem sei se têm esse nome mesmo, que não fazem mal nenhum e adoram bailarinar em volta das lâmpadas acesas. Todas as noites ela aparecia e eu até já havia me acostumado à sua presença. Dizem que pessoas que moram sozinhas ficam assim mesmo, falando sozinhas, "adotando" insetos que aparecem de vez em quando. Para espantar a solidão, talvez. Ou só para ter com que, ou quem, interagir.
Ontem olhei pra ela e pensei: o que essa coitada come aqui, trancada nesse apartamento. Na verdade nem sei o que aleluias comem, mas de vento é que não vivem. Conversei então com ela e disse que apesar da sua companhia até agradável ela precisava ir embora, senão morreria. Fui dormir e ela ficou na minha sala sem janelas.
Acordei hoje a vi no batente da janela do quarto. Ela havia me entendido, da maneira dela, claro. Entendimentos desses desentendidos, sem explicação. Peguei-a em minhas mãos, abri a janela e como quem deixa escorrer um punhado de areia deixei-a ir, voando, atrás de suas verdades. A aleluia se foi.
Essa semana foi a segunda vez que soltei os dedos... e talvez não tenha sido a aleluia a única que voou...
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