Um dia sonhei em ter uma cama de princesa. Daquelas enormes, com dossel, cabeceira dourada. Sonhar com campos distantes, belezas que só conheço na minha imaginação. Tenho uma cama comum, sem cabeceira, mas com seu charme, garantido pela decoração que eu mesma criei. Mas depois de um tempo os sabores mudam, as vontades se transformam assim como a vida. Penso em Paris, Barcelona, Lisboa como lugares que preciso conhecer antes de morrer. Assim como Salvador, Belém do Pará, Amazônia; sentir os aromas do mundo, conhecer as vontades de outras pessoas.
E hoje tenho uma espreguiçadeira, chaise para os chiques de plantão. Parece uma grande bobeira, mas ela é um convite a não fazer nada, na verdade ao ócio criativo, já que a primeira visão que tenho dela é de uma prateleira de livros, cheia de coisas que ainda não li porque minha cama sem dossel não me transmitia as mesmas vontades. Me jogo ali e o mundo abre-se novamente. Conheço novas pessoas, com histórias diferentes, assuntos interessantes. Vou de
Saussure a Jorge Amado em poucos minutos pois tudo ali é possível.
É possível pensar na vida olhando de fora. Deitada a reconstruir o "inconstruível", a imaginar os campos vastos e imensas metrópoles. Lutar contra moinhos de vento e me perder dentro do coração selvagem, passear pela Mata Atlântica e saber um pouco da vida de Neruda. Tudo ali, da espreguiçadeira, do meu grande novo portal para um admirável mundo novo.
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