Não queria um mundo perfeito, onde tudo desse certo e as coisas fossem fáceis. Onde não houvesse dúvidas e todo dia fosse ensolarado. Que cada coisa acontecesse na hora em que desejássemos e não precisássemos esperar pelo pão quente. Sem filas, sem trânsito, sem dor de cabeça, sem menstruação. Sem amores perdidos e encontrados por outras pessoas. Sem flores murchas, sem morte, sem angústia. Não, eu não gostaria de um mundo assim. Gostaria de um mundo assado. Com mollho madeira e vinho acompanhando. De sobremesa uma bola de sorvete de pistache. E depois um cafezinho bem forte.
Depois de comer o mundo as coisas seriam mais tranquilas porque eu seria o mundo também. E por isso ele não precisaria ser perfeito porque ninguém é perfeito. Nem eu, nem o romeu. E quando me desse vontade de furar a fila, ou de pegar o pão quente do forno era só me mexer, mexerica. E quando chovesse eu ligaria o interruptor do sol e deixaria a água cair amarelinha. Se estivesse em dúvida, abriria meu dicionário de questões "irresolvíveis" procuraria o vocábulo correspondente, que eu mesma criaria e pronto: dúvida sanada. Porque eu seria o mundo e o mundo seria meu. E na minha imperfeição tudo daria certo. Até o que parecesse errado.
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