10.19.2007

O dia no qual a bunda precisou ser mexida... ou um elogio a mim mesma... ou uma pitada de indiretas... ou ainda um momento de desabafo...

Vamos levando a vida, tranqüilos, confiantes naquilo que nos parece tão sólido, imutável. Nos deixamos levar, ficamos à deriva, sem precisar correr muito atrás das coisas. Afinal, parece que sempre tudo será igual. Mas um dia, sem perceber, estamos sentados num banco feito de ar, no nada, e como naqueles desenhos, a hora que percebemos que estamos sobre o precipício é que caímos.
É essa a hora em que notamos que temos uma bunda (nessa hora e também na hora que alguém chuta essa bunda). E que essa bunda foi feita pra se mexer, e não como dançarina de algum tchan. Como num filme que vi uma vez numa aula (que não esqueci nunca mais pois foi uma das poucas vezes em que comentei alguma idéia em sala de aula): às vezes é preciso que tudo esteja uma bagunça para que possamos organizar, ou reorganizar a casa. No caso, a vida.

Acabou-se o tempo em que o dinheiro servia para ser gasto com roupinhas, sapatinhos, besteirinhas. Agora ele é gasto com aluguel, condomínio, contas. Que não querem saber se sua bunda está parada ou se mexendo. E é nessa fase que precisamos mostrar a que viemos, que precisamos capturar esse ser "adulto" e fazê-lo virar realidade e não tratá-lo como uma bonita teoria.
Amadurecimento, maduro, duro. Crescer dói, ou machuca, como já disse alguém por aí, por esse mundo. Mas quando cai a ficha: pô, eu consigo, eu consegui, "veni, vidi, vici"! Ah, que orgulho bom da gente!
Medo ainda tenho muitos, de muitas coisas, principalmente daqueles "infaláveis", mas a cada dia sinto que consigo lidar melhor com esse lado medroso, medonho, melindroso. E conseguir manter a mente tranqüila é uma coisa que venho treinando (preciso de aperfeiçoamentos ainda, mas...) e conseguindo bons resultados.
Apaixonante, apaixonada e apaixonadamente vou levando esses meus dias, meus meses, meus anos. Que não são dourados porque prefiro prateados. E não são solitários porque a solidão não me pertence mais. E não são mais enfadonhos porque eu sou a pessoa mais legal do mundo. E quem quiser que perceba isso. E que se aproveite disso. E que queira me acompanhar. E que me acompanhe. E que se apaixone. Porque eu já estou, porque eu já sou... e sigo feliz com meu cabelinho de happy feet e minhas mãos pequeninas que conseguem abraçar o mundo!

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