Quem tem pantufas tem tudo nessa vida. Eu não tenho mais patufas. Mas continuo tendo pés. Que andam cansados porque andam. De lá pra cá, de cá pra lá. E eis que chega a roda viva...
"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração..."
[Roda Viva - Chico Buarque]
10.31.2007
10.28.2007
Cada um na sua, atrás de seu próprio caminho
Quando o dia amanhece e nos levantamos da cama nem imaginamos como será. Quer dizer, às vezes. Em alguns dias, desses mais impetuosos, temos certa sensibilidade de que algumas coisas acontecerão assim ou assado. Bem, pelo menos algumas pessoas têm esse feeling. E quando sentimos algumas coisas às vezes nem damos bola, não nos importamos, "é coisa da minha cabeça" dizemos. Mas na verdade não é. Precisamos começar a perceber nossos sinais e levá-los a sério. É nossa alma falando conosco e dando seus avisos. E é sempre bom ouvir.
Parece que a vida está sempre querendo nos pregar peças, mas na verdade nós mesmos nos jogamos em certas armadilhas e depois sofremos pra sair, ficamos com a patinha machucada. Aprender a identificar essas armadilhas e passar ao seu lado, sem cair nelas acredito que é nossa grande missão. Aprender a controlar a mente e identificar as "verdades reais" e não as imaginárias.
O fim das ilusões, das expectativas e o começo de uma abertura em nossa consciência. A precepção do vazio e das limitações do ser humano. Cada um só busca ser feliz. Viver sem mágoas e sem rancores é o melhor que podemos fazer a nós mesmos. É difícil, mas nem tanto. Os problemas sempre parecem menores quando olhados do alto. Subamos então em nossas escadinhas, não só pra ficar mais perto do céu, tampouco na altura dos lábios de outra pessoa. Mas para olhar nossas vidas por outra perspectiva e perceber que nem tudo é tão mau quanto parece e nem tão bom que seja insubstituível.
10.22.2007
E não sou só eu...
Não sou só eu que sinto tristeza de ver o passarinho do peitinho amarelinho... sensibilidades dessas que poucas pessoas têm hoje em dia...
10.19.2007
O dia no qual a bunda precisou ser mexida... ou um elogio a mim mesma... ou uma pitada de indiretas... ou ainda um momento de desabafo...
Vamos levando a vida, tranqüilos, confiantes naquilo que nos parece tão sólido, imutável. Nos deixamos levar, ficamos à deriva, sem precisar correr muito atrás das coisas. Afinal, parece que sempre tudo será igual. Mas um dia, sem perceber, estamos sentados num banco feito de ar, no nada, e como naqueles desenhos, a hora que percebemos que estamos sobre o precipício é que caímos.
Acabou-se o tempo em que o dinheiro servia para ser gasto com roupinhas, sapatinhos, besteirinhas. Agora ele é gasto com aluguel, condomínio, contas. Que não querem saber se sua bunda está parada ou se mexendo. E é nessa fase que precisamos mostrar a que viemos, que precisamos capturar esse ser "adulto" e fazê-lo virar realidade e não tratá-lo como uma bonita teoria.
Amadurecimento, maduro, duro. Crescer dói, ou machuca, como já disse alguém por aí, por esse mundo. Mas quando cai a ficha: pô, eu consigo, eu consegui, "veni, vidi, vici"! Ah, que orgulho bom da gente!
Medo ainda tenho muitos, de muitas coisas, principalmente daqueles "infaláveis", mas a cada dia sinto que consigo lidar melhor com esse lado medroso, medonho, melindroso. E conseguir manter a mente tranqüila é uma coisa que venho treinando (preciso de aperfeiçoamentos ainda, mas...) e conseguindo bons resultados.
Apaixonante, apaixonada e apaixonadamente vou levando esses meus dias, meus meses, meus anos. Que não são dourados porque prefiro prateados. E não são solitários porque a solidão não me pertence mais. E não são mais enfadonhos porque eu sou a pessoa mais legal do mundo. E quem quiser que perceba isso. E que se aproveite disso. E que queira me acompanhar. E que me acompanhe. E que se apaixone. Porque eu já estou, porque eu já sou... e sigo feliz com meu cabelinho de happy feet e minhas mãos pequeninas que conseguem abraçar o mundo!
10.07.2007
O sol, as massas e as maçãs...
Fui embora de mim e sabia perfeitamente que era o que deveria ter feito. Saí, bati a porta e chamei o elevador. Desci e segui por caminhos estranhos, estreitos, estéreis. Estanquei o sangue que escorria por meus poros cansados e entrei na água. Água corrente, recorrente de meus tempos esquecidos. Aquela água em que me banhei, na qual a vida foi criada, agora me transformava em outra coisa, outro ser, outro peso e outra medida. Novos sabores, novos aromas e novas sensações. Diferentes, mas nunca ruins.
Não quis olhar para trás, não quis rememorar o indizível, nem cair em tentação. Segui caminhando entre arbustos negros, mata fechada, insetos gigantes. Firme, forte e segura, apertei o passo. Tropecei. A grama tocava meus braços, incômoda. Uma grande serpente atravessou o caminho por cima de minha perna direita. Passou deixando em minha pele uma marca rosada de serpente imaginária.
Levantei e meus pés não mais tocavam o chão. Mexia os dedos, fazia acrobacias pouco acima do solo que até então me sustentava. Eu não precisava do solo, eu não precisava dos pés a não ser para me impulsionar para a frente e não para me apoiar. Meu apoio eram os fios de cabelo que bailavam contra e a favor do vento leve que se embrenhava por todos os espaços. Eu era livre, eu estava desconectada daquele mundo e assim encontrava o meu próprio.
Já sentia para que lado ir e seguia por esse caminho simplesmente apontando o olhar. E voei por séculos sentindo o sol acariciando todo meu novo ser. Fui ao infinito e além, agora eu era a Dorothy com seus sapatinhos mágicos e conhecia meu novo mundo colorido, pintado por Frida Kahlo, embalada pelo som de Morricone.
Meu novo mundo era assim: brilhante, radiante, lúdico. E nunca mais olhei para trás, onde jazia meu antigo corpo inanimado.
Não quis olhar para trás, não quis rememorar o indizível, nem cair em tentação. Segui caminhando entre arbustos negros, mata fechada, insetos gigantes. Firme, forte e segura, apertei o passo. Tropecei. A grama tocava meus braços, incômoda. Uma grande serpente atravessou o caminho por cima de minha perna direita. Passou deixando em minha pele uma marca rosada de serpente imaginária.
Levantei e meus pés não mais tocavam o chão. Mexia os dedos, fazia acrobacias pouco acima do solo que até então me sustentava. Eu não precisava do solo, eu não precisava dos pés a não ser para me impulsionar para a frente e não para me apoiar. Meu apoio eram os fios de cabelo que bailavam contra e a favor do vento leve que se embrenhava por todos os espaços. Eu era livre, eu estava desconectada daquele mundo e assim encontrava o meu próprio.
Já sentia para que lado ir e seguia por esse caminho simplesmente apontando o olhar. E voei por séculos sentindo o sol acariciando todo meu novo ser. Fui ao infinito e além, agora eu era a Dorothy com seus sapatinhos mágicos e conhecia meu novo mundo colorido, pintado por Frida Kahlo, embalada pelo som de Morricone.
Meu novo mundo era assim: brilhante, radiante, lúdico. E nunca mais olhei para trás, onde jazia meu antigo corpo inanimado.
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