Você cabe no lugar onde está? O sofá cabe naquele canto da sala? Quantas vezes o 10 cabe no 100? A geladeira cabe no elevador? Cabe eu te dizer aquilo agora? Tem cabimento você aparecer aqui hoje? Cabide de madeira é melhor que cabide de plástico? Sua cama tem cabeceira? Seu cabelo é comprido?
Cabe, cabelo, cabeça, cabide, cabana, cabo, caboclo, cabala...
O que cabe aonde? Eu caibo aqui? Eu caibo acolá? Eu caibo em você e você cabe em mim? Se não cabe a gente aperta, a gente se espreme? Ou a gente explode e espalha?
Espalha, espelho, espera, espada, espeto, espiga, espalma, espuma...
Reinvente, faça caber ou faça explodir. Faça pensar ou faça desistir. Pinte o sete, ou o nove, ou o quatrocentos e quinze. Encaixe-se, mas não encaixote-se. Respire, mas prenda a respiração de vez em quando pra saber como é...
8.31.2007
8.30.2007
Caixinha pequena de bom parecer, não há marceneiro que possa fazer...
Versinhos de criança que a gente lembra e têm gosto de nuvem, gosto de coisa bem vivida, aroma de café com leite. Meu avô conhecia vários desses versinhos e provérbios. Contava histórias da sua infância, da cidade de São Paulo, onde cresceu depois de vir de não sei onde do interior. Seus pais vieram da Espanha mas ele nasceu aqui: espanholito brasileiro. Seu pai morreu quando ele ainda era bem pequeno e ele começou a trabalhar para ajudar a família, cheia de crianças, 5 ou 6 irmãos, não sei ao certo. Hoje só uma delas é viva, a caçula. Os outros todos já foram descansar em outras dimensões, inclusive meu avô.
Levou uma vida difícil, que em suas histórias, transformava-se em magia. Momentos mágicos. Da fábrica de doces em que trabalhou ainda criança confeitando biscoitos em formato de cavalinhos, até a entrega de leite que fazia rendia histórias incríveis. Conhecia muita gente, conversava com todos e esse jeito aberto o acompanhou pela vida inteira. Entrava no ônibus e puxava conversa com todo mundo, cumprimentava o bairro inteiro e chamava as crianças de "curintianinho".
Foi polidor, trabalhou bastante, ganhava dinheiro pra levar a família pra passear e comer camarão. Família que construiu como construiu toda sua vida: magicamente. Morava numa pensão pra rapazes e minha vó trabalhava e morava lá. Separada e com seu filho pequeno conquistou o coração do galã e viveram juntos por 50 anos. Passaram por momentos muito tristes, complicados. Superaram tudo e hoje em dia são a principal lembrança da minha infância.
Foi meu avô que me ensinou a ler e a escrever, com três anos de idade. E se orgulhava quando eu pronunciava alguma palavra complicada:
"- Vovô, falou na TV: ma-te-má-ti-ca!"
Ele adorava contar essa história e mostrar que a neta "primogênita" dele era especial. Quanto carinho, quanto amor eu guardo na minha "caixinha de bom parecer". Quanto devo da minha vida, do meu aprendizado, do meu caráter a essa figura maravilhosa que agora conta suas histórias aos anjos que voam por aí. Às vezes consigo até ouvir, ao longe, quando o vento sopra em minha janela: ma-te-má-ti-ca...
Levou uma vida difícil, que em suas histórias, transformava-se em magia. Momentos mágicos. Da fábrica de doces em que trabalhou ainda criança confeitando biscoitos em formato de cavalinhos, até a entrega de leite que fazia rendia histórias incríveis. Conhecia muita gente, conversava com todos e esse jeito aberto o acompanhou pela vida inteira. Entrava no ônibus e puxava conversa com todo mundo, cumprimentava o bairro inteiro e chamava as crianças de "curintianinho".
Foi polidor, trabalhou bastante, ganhava dinheiro pra levar a família pra passear e comer camarão. Família que construiu como construiu toda sua vida: magicamente. Morava numa pensão pra rapazes e minha vó trabalhava e morava lá. Separada e com seu filho pequeno conquistou o coração do galã e viveram juntos por 50 anos. Passaram por momentos muito tristes, complicados. Superaram tudo e hoje em dia são a principal lembrança da minha infância.
Foi meu avô que me ensinou a ler e a escrever, com três anos de idade. E se orgulhava quando eu pronunciava alguma palavra complicada:
"- Vovô, falou na TV: ma-te-má-ti-ca!"
Ele adorava contar essa história e mostrar que a neta "primogênita" dele era especial. Quanto carinho, quanto amor eu guardo na minha "caixinha de bom parecer". Quanto devo da minha vida, do meu aprendizado, do meu caráter a essa figura maravilhosa que agora conta suas histórias aos anjos que voam por aí. Às vezes consigo até ouvir, ao longe, quando o vento sopra em minha janela: ma-te-má-ti-ca...
8.28.2007
Faca de dois gumes ou pra cortar dois legumes?
É, o tempo passa, o tempo voa e a poupança bamerindus continua numa boa. Nem a poupança Bamerindus sobreviveu. Nem ela, nem eu. Nem ninguém. A cada dia a gente morre um pouquinho e renasce no outro. E isso é bom porque a vida vai passando e as coisas sempre mudando. A última vez que escrevi aqui tinha 27 anos. Mês que vem faço 30. Mudou muita coisa? Sim e não. É a tal faca de dois gumes. As coisas sempre mudam, mas e o que a gente é por dentro?
Pieguice dá um tempo que não foi por isso que voltei a escrever. Voltei a escrever porque percebi que é uma das coisas da vida que gosto realmente, mas faço pouco graças a um grande (e terrível) traço de personalidade: a preguiça. Dos "pecados capitais" esse é o meu. Deixo de lado muita coisa por causa dele. Não, não me orgulho disso, nem acho bom. Faz parte das mudanças que preciso fazer. Das mais difíceis porque não tem forma e está tão emaranhada em mim que não sei às vezes distinguir quem manda afinal nesse ser ilusório chamado Débora.
Mas as rédeas estão nas minhas mãos e isso é uma grande coisa. Apesar de nunca ter levado a vida com rédea curta, sempre deixei me guiar por aí meio sem rumo, balançando pra lá e pra cá. Mas como nunca me deixei levar por caminhos que realmente não queria ir, significa que de alguma maneira segurei a tal "rédea". Mas onde é que eu estava mesmo? Escrever.
Como já disse, mês que vem "balzaqueio" e tenho uma lista igual a das resoluções de ano novo. Resoluções de vida nova. Mesmo sabendo que listas de resoluções são as coisas mais ignoradas do planeta. Uma dessas resoluções é tentar ser mais leve, inclusive no peso, e quem me conhece sabe que não sou daquelas que precisa perder só 3 quilinhos. Mas acho que uma coisa "leva" a outra. Quando minha mente conseguir ser mais leve o corpo acompanhará, assim espero. Outra coisa é dar menos superfície de contato à tal preguiça que consome minhas horas. Mais uma, trabalhar com alguma coisa de que eu goste de verdade. Trabalhar escrevendo, escrever trabalhando. Ah, levar a faculdade a sério, terminar um semestre completo é meu grande desejo!
Ligar menos para as outras pessoas, tanto no aspecto figurado quanto no real. Me importar menos com o que os outros dizem e usar menos o telefone. Conseguir ser mais direta e comer menos pelas beiradas. Ir ao médico e ao dentista regularmente. Comer melhor e menos. Dar menos de comer a quem nem tem tanta fome assim, se é que vocês me entendem. Parar de comer as unhas, já que estamos no assunto. Beber com moderação. Viver com moderação. Aprender a dirigir. Mexer um pouco esse traseiro gordo. Usar filtro solar. Terminar de mobiliar a casa e tentar comprar a minha própria. Fazer uma tatuagem, escrever um livro, conseguir manter alguma planta viva por mais de 2 meses e não, não ter um filho. Diminuir a emissão de gases no meio ambiente (Já pensou em besteira, né?).
Fazer aulas de marcenaria e escrever, mais uma vez, que é pra me certificar de que será cumprida pelo menos essa parte. Bem, já tenho a lista, agora é ir às compras. Opa, onde foi que eu deixei o papel mesmo?
Pieguice dá um tempo que não foi por isso que voltei a escrever. Voltei a escrever porque percebi que é uma das coisas da vida que gosto realmente, mas faço pouco graças a um grande (e terrível) traço de personalidade: a preguiça. Dos "pecados capitais" esse é o meu. Deixo de lado muita coisa por causa dele. Não, não me orgulho disso, nem acho bom. Faz parte das mudanças que preciso fazer. Das mais difíceis porque não tem forma e está tão emaranhada em mim que não sei às vezes distinguir quem manda afinal nesse ser ilusório chamado Débora.
Mas as rédeas estão nas minhas mãos e isso é uma grande coisa. Apesar de nunca ter levado a vida com rédea curta, sempre deixei me guiar por aí meio sem rumo, balançando pra lá e pra cá. Mas como nunca me deixei levar por caminhos que realmente não queria ir, significa que de alguma maneira segurei a tal "rédea". Mas onde é que eu estava mesmo? Escrever.
Como já disse, mês que vem "balzaqueio" e tenho uma lista igual a das resoluções de ano novo. Resoluções de vida nova. Mesmo sabendo que listas de resoluções são as coisas mais ignoradas do planeta. Uma dessas resoluções é tentar ser mais leve, inclusive no peso, e quem me conhece sabe que não sou daquelas que precisa perder só 3 quilinhos. Mas acho que uma coisa "leva" a outra. Quando minha mente conseguir ser mais leve o corpo acompanhará, assim espero. Outra coisa é dar menos superfície de contato à tal preguiça que consome minhas horas. Mais uma, trabalhar com alguma coisa de que eu goste de verdade. Trabalhar escrevendo, escrever trabalhando. Ah, levar a faculdade a sério, terminar um semestre completo é meu grande desejo!
Ligar menos para as outras pessoas, tanto no aspecto figurado quanto no real. Me importar menos com o que os outros dizem e usar menos o telefone. Conseguir ser mais direta e comer menos pelas beiradas. Ir ao médico e ao dentista regularmente. Comer melhor e menos. Dar menos de comer a quem nem tem tanta fome assim, se é que vocês me entendem. Parar de comer as unhas, já que estamos no assunto. Beber com moderação. Viver com moderação. Aprender a dirigir. Mexer um pouco esse traseiro gordo. Usar filtro solar. Terminar de mobiliar a casa e tentar comprar a minha própria. Fazer uma tatuagem, escrever um livro, conseguir manter alguma planta viva por mais de 2 meses e não, não ter um filho. Diminuir a emissão de gases no meio ambiente (Já pensou em besteira, né?).
Fazer aulas de marcenaria e escrever, mais uma vez, que é pra me certificar de que será cumprida pelo menos essa parte. Bem, já tenho a lista, agora é ir às compras. Opa, onde foi que eu deixei o papel mesmo?
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